Glicemia pós-prandial é a glicemia medida 2 horas depois do início de uma refeição. Para a maioria dos adultos com diabetes, a meta da Sociedade Brasileira de Diabetes é menos de 180 mg/dL. Em pessoas sem diabetes, ela costuma voltar para menos de 140 mg/dL nesse intervalo.
Por que ela importa tanto
Muita gente com diabetes mede só em jejum. O problema é que o jejum mostra um momento do dia, e você passa boa parte do dia digerindo alguma coisa.
É comum ter um jejum ótimo e picos altos depois do almoço ou do jantar. Esses picos entram na conta da hemoglobina glicada e só aparecem se você medir depois de comer.
Quando medir: conte a partir da primeira garfada
As 2 horas contam a partir do início da refeição, não do fim. Se você começou a almoçar às 12h10, meça às 14h10.
Algumas situações mudam a leitura:
- Refeições longas, como um churrasco que dura a tarde toda, não têm um “2 horas depois” claro. Nesses dias, o número serve menos para comparar.
- Medir cedo demais, com 1 hora, pega o pico e pode assustar sem motivo. Para comparar com a meta, use 2 horas.
- Lavar as mãos antes de furar o dedo evita que resto de fruta ou de doce nos dedos aumente o resultado.
O valor ideal
| Situação | 2 horas depois de comer |
|---|---|
| Sem diabetes | geralmente menos de 140 mg/dL |
| Com diabetes (meta da SBD) | menos de 180 mg/dL |
| Abaixo de 70 mg/dL | hipoglicemia, em qualquer momento |
Se o seu médico definiu outra meta para você, vale a dele. Os valores de jejum e de diagnóstico estão na tabela de glicemia normal.
O Gluvo registra cada medição em 3 segundos e mostra se está na meta para aquele momento do dia. Grátis para Android.
Baixar o Gluvo grátisO que aumenta o pico depois de comer
- Quantidade e tipo de carboidrato. Arroz, pão, massa, tapioca, açúcar e farinhas sobem mais e mais rápido do que verduras, ovos e carnes.
- Bebida açucarada junto da refeição. Suco, refrigerante comum e chá adoçado somam açúcar de absorção rápida bem na hora do pico.
- Ficar sentado depois de comer. O músculo parado usa menos glicose.
- Remédio fora do horário. Alguns medicamentos precisam ser tomados antes ou junto com a refeição para funcionar no pico.
O que ajuda, segundo os estudos
Caminhar depois de comer. Estudos que compararam ficar sentado com caminhar levemente depois das refeições encontraram glicemias pós-refeição mais baixas com a caminhada. Não precisa ser exercício pesado: 10 a 15 minutos de caminhada leve já entram na conta.
Comer verduras e proteína antes do carboidrato. Em um estudo com pessoas com diabetes tipo 2, comer a salada e a proteína primeiro e deixar o carboidrato para o fim da mesma refeição resultou em picos menores do que comer o carboidrato primeiro.
Trocar a bebida. Água ou bebida sem açúcar no lugar do suco ou refrigerante tira da refeição um dos açúcares que sobem mais rápido.
Como descobrir o que funciona para você
As médias dos estudos mostram tendências. O seu corpo pode responder diferente. O jeito de saber é comparar os seus próprios dias:
- Escolha uma refeição que você repete, como o almoço de dia útil.
- Meça 2 horas depois em dias com e sem o hábito que quer testar (por exemplo, caminhar 15 minutos).
- Depois de alguns dias de cada, compare as médias.
Se a diferença for de 20 ou 30 mg/dL, você encontrou um hábito que vale manter. Dá para fazer isso num caderno, com paciência. O Gluvo faz a mesma comparação sozinho a partir do sétimo dia de registros.
Fontes
- Sociedade Brasileira de Diabetes. Metas no tratamento do diabetes. Diretriz Oficial, 2023.
- Buffey AJ et al. The acute effects of interrupting prolonged sitting time in adults with standing and light-intensity walking on biomarkers of cardiometabolic health. Sports Medicine, 2022.
- Shukla AP et al. Food order has a significant impact on postprandial glucose and insulin levels. Diabetes Care, 2015.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde.